Muitas teses de mestrado e doutorado tratam da obra de Tom Jobim e abordam a formação musical de Tom, outras enfocam a sua visão de mundo como artista. Identificam um pé na tradição romântica do século XIX e no modernismo.
A questão do amor como metáfora da felicidade humana, em todos os sentidos. A incapacidade de pensar o homem e a sociedade, fora da natureza. A necessidade de compatibilizar o progresso humano e material com a preservação do meio ambiente. Temas caros à visão romântica.
Nesse contexto se insere a crítica social de Orfeu Negro de Vinicius de Moraes, o morro que fez muito, mas não tem vez, a felicidade do pobre no carnaval que dura pouco, apesar do trabalho duro ao longo do ano. A tristeza que não tem fim e a tragédia de Orfeu em plena explosão da alegria carnavalesca. Paradoxo de um pais com tanta riqueza para uma felicidade duradoura e a penúria diária.
Alguns críticos entendiam seu cantar da natureza e das belezas do Rio como algo alienado. Não entendiam que Tom apontava para um futuro diferente de um Brasil moderno, como pensado pela Semana de 22 e o modernismo de seu mestre Heitor Villa Lobos.
As questões existenciais da filosofia europeia na poesia musicada de Vinicius.
A Era JK e o Brasil no pós-guerra era bem a síntese de um desejo de modernidade e superação das antigas mazelas. Harmonia social e com a natureza.
A nova leitura ou a nova vestimenta do samba- canção na voz de João Gilberto e nas composições de Tom Jobim, em parceria com Newton Mendonça ou Vinicius de Moraes, expressa bem o desejo de mudança e as necessidades de expressão do jovem desse periodo.
O poeta e a centralidade do amor na leitura simbolista.
O impressionismo musical e o compositor expressando tudo que marca a sua sensibilidade.
Amor pelo folclore, pela natureza e pelas manifestações da cultura regional, em um erudito formado sob a influência de Debussy, Ravel, Villa Lobos, Chopin e Gershwin.
A Sinfonia do Rio, a Sinfonia de Brasília, a saga de o Tempo e o Vento. A história da formação do Brasil.
Ary Barroso e o samba exaltação das grandezas do Brasil, Caymmi e a voz telúrica do Brasil profundo e Pixinguinha, o mestre da sensibilidade do choro.
Tom Jobim, o compositor que faz a síntese do antigo e do moderno, do erudito e do popular e projetou nossa música no mundo, ampliando seus horizontes e formando gerações.
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