sexta-feira, 24 de março de 2023

Movimento da Bossa Nova

 Aniversário do LP de João Gilberto


João Gilberto entendeu que cantando baixo, poderia adiantar ou atrasar o canto em relação ao ritmo, desde que a batida fosse constante, sem vibrato, criando  seu próprio tempo. Aquilo que os críticos chamam de goteira.


Ao violão, tocava acordes, e não notas, com a mão direita, produzindo harmonia e ritmo, simultaneamente.


A tendência do canto intimista vinha de Bing Crosby, Frank Sinatra, Dick Farney, Mário Reis, e Lúcio Alves e da própria Sylvia Telles. A voz que canta ao ouvido e conquista o coração.


Utilizava técnicas que lhe permitiam alongar frases melódicas sem perder o vigor e velocidade, ele criou a incerteza da fala, no canto; um canto quase falado.


João Gilberto trouxe a orquestra para o violão, houve um esvaziamento da orquestra, uma síntese voz violão, desse modo, o seu cantar ficou parecido ou favorável aos solos dos instrumentistas do jazz. Stan Getz gravou com ele, e com Astrud Gilberto e Miucha também. O canto quase falado já estava presente em Noel Rosa, ou seja, já era uma possibilidade do samba-canção. O samba sincopado vinha do samba de salão, Garoto e Vadico usavam acordes dissonantes. João Gilberto admirava de Orlando Silva a C. Baker.

 

Tom Jobim sempre deu apoio a João Gilberto e suas inovações. 


João Gilberto deu uma nova roupagem à tradição e regravou sucessos clássicos de Ary Barroso, Pixinguinha, Dorival Caymmi, Custódio Mesquita, Lupicinio Rodrigues, Ataulfo Alves, Herivelto Martins e Noel Rosa, além, obviamente, do cancioneiro de Tom Jobim e seus parceiros.


Em julho de 58, Elizeth Cardoso lançou o LP Canção do Amor Demais, com músicas de Tom Jobim e Vinicius de Moraes. João Gilberto acompanhava Elizeth ao violão, nas faixas Chega de Saudade e Outra Vez, sendo essas as primeiras gravações da chamada "batida da bossa nova". O marco inaugural da Bossa Nova. João pediu a Elizeth para cantar no estilo Bossa Nova. Em agosto, João Gilberto lançou um disco de 78 rpm com "Chega de Saudade" e "Bim Bom", gravado na Odeon, com apoio de Tom Jobim, Dorival Caymmi e Aloysio de Oliveira. Sua gravação teve arranjos de Tom Jobim, e orquestra e de Milton Banana.


Com dois microfones, um para o violão e outro para a voz, permitiu o entendimento mais claro da harmonia.


Em 1959, João Gilberto lançou mais um disco 78 rpm, com Desafinado, de Tom Jobim e Newton Mendonça, e Hô-bá-lá-lá, composição de sua autoria. Em março, lançou o LP Chega de Saudade, sucesso de vendas.


Menescal, Durval Ferreira, Lyra e Johnny Alf propuseram seus ritmos para a Bossa Nova e acabou prevalecendo o proposto por João Gilberto com base no tamborim.


Estamos comemorando o aniversário do seu LP de 59.


Outro elogio a João Gilberto é sua dicção perfeita e econômica que permite o fácil entendimento da mensagem.


As inovações de João Gilberto, apesar de aplaudidas pela grande maioria dos músicos, gerou muitas críticas, todas muito frágeis. Sem nenhuma base factual. Diziam que ele estava desfigurando o samba- canção, alterando sua métrica e harmonia para favorecer sua absorção pelo jazz. Na verdade, o jazz é quem incorporou contribuições das músicas nacionais nos anos 50, música caribenha, latina e etc, através do Cool Jazz, Bebop, e Jazz Fusion.


Stan Getz e Byrd já tocavam Tom Jobim, antes do show de 1962 no Carnegie Hall. Bing Crosby gravou Copacabana de Braguinha, Aquarela do Brasil de Ary Barroso no estilo clássico.


Chega de Saudade foi inscrito no Hall of Fame dos EUA.


Era apenas um violão e uma voz com uma única história, mínimos detalhes de encaixe precioso entre a voz, a respiração, a mão direita em bloco e os deslizes pelas cordas entre cada acorde. Minimalismo vocal e instrumental. Inovações melodicas em cada interpretação. Sentido polirritimico do tempo na Bossa Nova.


Contudo, no vídeo abaixo, podemos observar que na apresentação gravada, Joao Gilberto não é mais o cantor solitário, representante do "eu lírico" de Jobim e Vinícius, ele para de cantar e deixa a plateia levar a canção, um verdadeiro coro de vozes espontâneas, o jornalista Chico Pinheiro aparece na plateia.




"Há compositores que fazem lindas canções românticas, cheias de lirismo, delicadeza, sensibilidade, mas, no cotidiano, são pessoas amargas, secas, ásperas, Tom Jobim nunca foi frio, áspero, indelicado, sempre viveu o que compôs. Uma graça de pessoa, um grande ser humano!"


Luis Carlos Vinhas

Programa Sem Censura, TVE, Rio



Tom Jobim dizia que a música pode mudar o mundo. Pode ajudar a construir um mundo melhor, mas depende de quem faz a música e para qual propósito. Tem música a favor da ecologia, da paz, e, também, tem música para ir à guerra, para dançar apenas, para fazer exercício, para relaxar.


Orfeu da Conceição é uma peça teatral de Vinicius de Moraes de 1956 inspirada na mitologia grega. Orfeu do Carnaval, filme de 1959, baseado na peça de Vinicius de Moraes, trágica história romântica entre a jovem Eurídice e o motorista e músico Orfeu. 

Diretor e roteirista :  Marcel Camus

Prêmios: Palma de Ouro, Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, entre outros.

Músicas compostas por Luiz Bonfá e Antonio Carlos Jobim

Na foto: Tom Jobim , Vinicius de Moraes, Agostinho dos Santos, Luiz Bonfá e o elenco do filme.  Foram homenageados pelo então presidente Juscelino Kubitscheck.


 A dimensão instrumental da Bossa Nova sempre foi importante e conferiu uma grandeza ao movimento. Baden Powell, João Gilberto, Bene Nunes, W Calmon, Milton Banana, Dom Um, Durval Ferreira, Sérgio Mendes, Laurindo Almeida, e Marcos Valle.

 

Grupos como o Zimbo Trio formado por Amílton Godoi, Luís Chaves, Rubinho, Rubens Barsotti. O Zimbo Trio surgiu em São Paulo, em 1964.


O Tamba Trio (Luís Eça, Bebeto, Hélcio Milito), Bossa 3 (Luís Carlos Vinhas, Tião Netto, Edison Machado) o Sambalanço Trio (César Camargo Mariano, Humberto Cleiber e Airto Moreira)


Os criadores da Bossa Nova tocavam instrumentos.  Tom Jobim, Johny Alf, Newton Mendonça, Castro Neves, L. Bonfá, João Donato, Normando, Chico Feitosa, Carlos Lyra e Roberto Menescal. 


Jobim tocava flauta, violão e piano.

Vinícius tocava violão.


Piano clássico 


Tom Jobim recebia colegas pianistas em casa, Arthur Moreira Lima, João Carlos Martins, Nelson Freire, Luizinho Eça. Moreira Lima e Nelson Freire como Luiz Eça e Jaques Klein foram alunos da Profa. Lúcia Branco, uma gigante do piano clássico como Guiomar Novaes e Magda Tagliaferro, grandes divulgadoras da obra de Villa-Lobos. Lúcia Branco tinha muito orgulho de ter sido aluna de Arthur De Greef que havia estudado com Franz Liszt. Havia um piano relíquia histórica da Bossa Nova onde Tom Jobim tocava com Vinícius e abria para seus amigos. Nise Obino também foi uma pianista de destaque da mesma época, amiga de Lúcia Branco. Mestra de Nelson Freire. Lúcia Branco após ouvir a Valsa Sentimental de Tom Jobim aconselhou que ele desenvolvesse o seu lado de compositor.  Eles executavam todos os clássicos, no curso. Tom Jobim tambem foi aluno de Tomás Teran, outro erudito.

Tom Jobim declarou, nessa entrevista, que se o mundo fosse destruido, ele reconstruiria tudo porque sabia tocar piano, tudo na memória.

Monstros sagrados interpretam Ave Maria de Gounod e Tom Jobim ao piano : Arthur Moreira Lima e João Carlos Martins. Clássicos ao piano. Casa do Jardim Botânico, 1980. Rua Peri.


Nova Banda 

A Nova Banda foi criada, por Tom Jobim, em 1984, por ocasião de um convite da Orquestra Sinfônica de Viena para uma apresentação de Tom Jobim. Jobim achou que a apresentação ficaria mais bonita com um grupo musical. A criação da Nova Banda foi a melhor iniciativa, em termos de showbusiness, da carreira de Tom Jobim. Foi uma bela iniciativa que deu a devida grandeza cênica à obra de Tom Jobim. Até então, havia uma banda mais limitada e predominava o estilo intimista do piano-bar, dos primórdios da Bossa Nova.

Tom Jobim gostou do desenho da banda com o coro de vozes femininas próximo do piano. Convidou grandes nomes da música com luz própria como Jaques Morelenbaum, Paula Morelenbaum, Danilo Caymmi, Tião Neto, e Paulo Braga. Convidou os filhos, Paulo e Elizabeth, e a esposa, Ana, para poder viajar, sem ficar afastado da família. 

O coro era formado por Elizabeth Jobim, Simone Caymmi e Ana Jobim. Maúcha Adnet, Paula e Jaques Morelenbaum entrariam mais tarde, durante shows no Rio de Janeiro. Gal Costa se apresentou com Tom Jobim e a Nova Banda em Los Angeles, California, em 1987. A Nova Banda participou das gravações dos discos de Tom Jobim de 1984 em diante. Danilo Caymmi e Tom Jobim eram as vozes masculinas do grupo.

Jaques Morelenbaum declarou que Tom Jobim estava muito deprimido com a morte de Vinícius e havia quatro anos não se apresentava em público. A Nova Banda deu novas energias a Tom Jobim. Eles viajaram pelo mundo todo, aplaudidos pela mais diferentes plateias. Foi uma pena que a Nova Banda não tivesse sido criada há mais tempo. A Banda só foi extinta com a morte de Tom Jobim em 1994. Podemos usar a expressão Banda Nova ou Nova Banda, mas os integrantes da Banda dizem que usavam a expressão Nova Banda de modo predominante.


Para Leonard Feather (1914-1994), compositor, produtor e um dos maiores críticos de jazz norte-americano:


“Águas de Março, sem dúvida, é uma das maiores melodias do século 20. A sensibilidade de Jobim é algo único. Coisa de Mozart e Erik Satie”.


H. J. Koellreutter, Leo Peracchi e Radamés Gnatalli contribuiram para que Tom Jobim não ficasse preso à clivagem erudito popular. Tomás Teran apresentou Tom Jobim a Radames Gnatalli. Villa-Lobos também incluía o choro e a poesia popular na sua produção erudita. Leo Peracchi apresentou Jobim a Heitor Villa-Lobos. Bene Nunes que era colega de Tom Jobim na noite, o aconselhou a estudar orquestração. Em Tom Jobim a fronteira popular erudito se apaga. Tom Jobim trabalhou com Alceo Bocchino, Lyrio Panicalli, Guerra Peixe, Nelson Riddle e Claus Ogerman, grandes nomes. No campo erudito a formação de Tom Jobim vem de Villa Lobos, Debussy, Ravel, e Chopin.  Quem removeu a timidez de Tom Jobim foram Aloysio de Oliveira, Leo Peracchi e Elis Regina. Lúcio Alves e Dick Farney deram as diretrizes sobre as tendências da música nos EUA. 


Samba de Uma Nota Só estava demorando para ser concluída. Newton Mendonça estava impaciente e achava que Tom Jobim não estava muito interessado em concluir a lírica. Tom pegou a partitura, jogou na mesa e disse "Eis aqui esse sambinha, feito de uma nota só, outras notas vão entrar, mas a base é uma só ...". Num instante Tom Jobim fechou a letra, cobrindo perfeitamente a parte da melodia ainda sem letra, concluindo esse grande sucesso da dupla. A letra dizendo o que se passa na melodia.


Newton Mendonça compôs o tema inicial de “Samba de uma nota só” em 1954. Esse clássico da Bossa Nova fez parte do disco “O Amor, o sorriso e a flor”, de João Gilberto, 1960.


Gravações de destaque na época foram de Sylvia Telles, Os Cariocas, Baden Powell, Radamés Gnattali, Tamba Trio, Maysa entre outros, além do próprio Tom Jobim.


Em 1971, Nara Leão lançou o disco “10 Anos Depois”  com clássicos da Bossa Nova, que incluia “Samba de uma nota só”.


 A dimensão instrumental da Bossa Nova sempre foi importante e conferiu uma grandeza ao movimento. Baden Powell, João Gilberto, Bene Nunes, W Calmon, Milton Banana, Dom Um, Durval Ferreira, Sérgio Mendes, Laurindo Almeida, e Marcos Valle.

 

Grupos como o Zimbo Trio formado por Amílton Godoi, Luís Chaves, Rubinho, Rubens Barsotti. O Zimbo Trio surgiu em São Paulo, em 1964.


O Tamba Trio (Luís Eça, Bebeto, Hélcio Milito), Bossa 3 (Luís Carlos Vinhas, Tião Netto, Edison Machado) o Sambalanço Trio (César Camargo Mariano, Humberto Cleber e Airto Moreira)


Os criadores da Bossa Nova tocavam instrumentos.  Tom Jobim, Johny Alf, Newton Mendonça, Castro Neves, L. Bonfá, João Donato, Normando, Chico Feitosa, Carlos Lyra e Roberto Menescal. 


Jobim tocava flauta, violão e piano.

Vinícius tocava violão.



 Tom Jobim, Astor Piazzolla, Chico Buarque e Caetano Veloso em um programa da Globo nos anos 80. Astor Piazolla estaria completando 100 anos de vida. Os argentinos o admiram como grande músico, renovador do tango, assim como Tom foi um marco na música brasileira com a Bossa Nova. 


Caetano falou no programa que ele e Chico estavam extremamente honrados de receber esses dois grandes nomes da música.  


Álbum Encontro Jobim e Piazzolla. Dois eruditos apaixonados pela música popular. Tom incorporou Debussy, Ravel, Bach, Chopin e Piazolla incorporou Bach, Stravinsky e Bartok. Ambos fizeram conexões com o Jazz e o Jazz latino.  Burton e Mulligan.


Piazolla prolongou a popularidade do tango entre as novas gerações. Com Julio de Caro, Osvaldo Pugliese, Aníbal Troilo, Horácio Salgán e muitos outros, o tango sempre foi fortemente instrumental. 


Assim como Tom Jobim, Piazolla influenciou uma legião de músicos como :  Q Jones, Glass, Gismonti e Guarnieri. Seu propósito sempre foi a produção do belo, do sublime. A música que encanta e emociona.


Música brasileira com grandes compositores e a música argentina também como

 Le Pera, Villoldo, di Sarli, Donato,  Arolas,

Santos Discépolo, Canaro, Matos Rodríguez, del Carril,

Sosa, Fresedo,  D'Arienzo, Firpo, Lomuto.



Tom Jobim

 O processo de composição musical de Tom Jobim não tinha nada de simples ou esquemático como alguns podem crer. Não se trata de um procedimento mecânico de criação da melodia e criação da letra por um parceiro. Não era uma mera divisão do trabalho, mas um processo orgânico. Primeiro Tom Jobim criava a melodia, após experimentar algumas alternativas. Era um perfeccionismo extremo na criação melodica. Depois vinha a letra, discutida minuciosamente, detalhadamente, cada palavra e frase debatida, sinônimos pesquisados. Tom Jobim só concordava em fechar uma letra, quando estava convencido de que não havia opção melhor para a melodia. Além disso, Tom Jobim também era um excelente letrista que compunha, sem parceiros, lindas poesias. Recebeu o conselho de Leonard Feather para compor em inglês, sem a necessidade de algum criador da lírica em inglês. "Por causa de você" foi detalhadamente discutida por Tom e Vinícius até a chegada da letra de Dolores Duran o mesmo com "Samba de uma nota só" com Newton Mendonça.

Tom era um perfeccionista porque queria produzir o belo em nome da arte. Postura correta de um grande artista. Buscar sempre o melhor possível em cada música, seja na melodia, harmonia, arranjos e letra.

Bossa Nova, Samba e Jazz

 Não foi a Bossa Nova que iniciou um processo de conexão da música brasileira com a música norte-americana. Não foram Johnny Alf, João Gilberto, Stan Getz, C. Baker ou Stan Kenton que conectaram a nossa música ao jazz.


Essa relação é bem mais antiga. É preciso conhecer a história para não repetir esses erros. 


No fim dos anos 20, já havia criticos no jornalismo brasileiro dizendo que o choro estava sendo influenciado pelo jazz.


Quem introduziu o jazz no Brasil foi o pianista e compositor pernambucano Fats Elpidio, em 1938, no Fluminense Futebol Clube. Depois o maestro Severino Araújo e sua orquestra Tabajara também executaram canções de jazz. 


Fats atuou no Copacabana Palace, na boate Vogue, no Hotel Meredien,  com Eliana Pittman e na orquestra do maestro Fonfon e Tabajara. Tocava choro, samba-canção, bolero, Bossa Nova, jazz, blues e frevo. 


Nos anos 40 Custódio Mesquita e Pixinguinha gravaram fox-canção. Joubert de Carvalho, Noel Rosa e Ary Barroso também gravaram fox.


Dick Farney atuou nos EUA nos anos 40, cantando em inglês nas rádios. Conheceu Sinatra e seu fã-clube era unido ao de Frank Sinatra.


Carmem Miranda viveu dez anos nos EUA e cantava música brasileira em filmes de Hollywood, ao lado de grandes nomes como Dean Martin. 


Dick Farney, Ary Barroso e Aloysio de Oliveira trabalharam no Grupo Disney, na área musical dos filmes da Disney. Foram amigos de Walt Disney.


Heitor Villa-Lobos fez trilha sonora para o cinema americano e a o grupo Disney.


Cauby Peixoto também cantou nos EUA com Nat King Cole e Bing Crosby. 


Nat King Cole gravou, cantando em português.


Bing Crosby gravou Copacabana e Aquarela do Brasil de Braguinha e Ary Barroso respectivamente.


O samba-canção nasceu no fim dos anos 20 e sofreu  influência do bolero nos anos 40. A Bossa Nova nasceu de uma vertente do samba-canção.


A Bossa Nova travou contato com o cool jazz e foi o momento supremo de convergência dos dois universos musicais, com Tom Jobim, João Gilberto, Johnny Alf, Astrud Gilberto e Stan Getz e tantos outros grandes nomes. 


Tom Jobim foi gravado por Sinatra e todos os gigantes da música nos EUA.


Foi a mais bem sucedida articulação da música nacional no mundo. Momento mais alto de excelência musical.


O Jazz nunca mais seria o mesmo depois da Bossa Nova, dizia Tom Jobim.


Aloysio Oliveira declarou que desde a chegada dos portugueses, a música brasileira nunca deixou de receber influências externas, a única música puramente nacional seria o canto tribal dos povos indígenas com uma flauta de bambu. As culturas estão sempre influenciando e recebendo influências.


O choro e o samba nasceram de uma mistura de generos europeus e ritmos africanos (polca, xote, valsa, mazurca, habanera, e o lundu)


Choro e samba são gêneros nacionais, nasceram no fim do século XIX, fruto da mistura de gêneros europeus e africanos, e sofreram influencias e transformações no século XX. 


O Jazz possui essa capacidade plástica de se acoplar a expressões musicais nacionais e manter as suas raízes. 


O Jazz encontrou na Bossa Nova uma fonte de renovação riquíssima e sem paralelo.


Tom Jobim e a Nova Banda 


A Bossa Nova 

Ontem foi o dia da Bossa Nova, a Bossa Nova foi aplaudida por grandes personalidades nacionais da música e também no exterior. Contudo, no seu início, gerou críticas e resistências que foram se diluindo ao longo do tempo. Herivelto Martins, por exemplo, não gostava da Bossa Nova, ele achava que vinha tirar protagonismo da Velha Guarda, afastar a tradição. Porém, quando João Gilberto gravou todos os sucessos de seu repertório, Herivelto Martins ficou encantado. Tom Jobim, Newton Mendonça, Johnny Alf, Roberto Menescal, e Carlos Lyra, queriam renovar a música brasileira em diversos aspectos (melodia, harmonia, letra, orquestração, arranjo, canto), mas, jamais, quiseram negar a importância da tradição. João Gilberto gravou todos os sucessos clássicos do samba, obras de Ary Barroso, Noel Rosa, Lupicinio Rodrigues e tantos outros. Tom Jobim sempre afirmou sua admiração por Dorival Caymmi, Pixinguinha, Noel, Custódio Mesquita e Ary Barroso. A Bossa Nova nasceu de uma ramificação do samba-canção. Veio expressar nova visão de mundo dos jovens, em relação à vida pessoal e à sociedade. A Bossa Nova  portanto, articulou a tradição com o futuro, deu uma nova vestimenta à tradição e veio ampliar os horizontes da nossa música. Promoveu um diálogo entre culturas, povos e tradições. Com Tom Jobim, a fronteira entre o erudito e o popular se desfaz, tal a qualidade de sua produção. A Bossa Nova foi o movimento que deu origem ao que passou a ser conhecido como Música Popular Brasileira com sua imensa riqueza. Nossa música foi projetada no mundo, de forma inédita, estrutural, influenciando gerações de músicos. Ela não impos um modelo único, ela se abriu a pluralidade de expressões musicais. Você tem João Gilberto e seu violão e tem Baden Powell com uma proposta diferente, Nara Leão e Elis Regina, Elza Soares e Maysa. Foi uma era de ouro que o mundo reconheceu e até hoje aplaude.


Tom Jobim e a Nova Banda


Tom Jobim jamais impôs um padrão de interpretação de suas canções


Isso favoreceu a rica recepção de sua obra 

Orfeu Negro

 Carnaval é uma festa que vem da Grécia Antiga da Roma Antiga, culto do deus Dionísio e Baco. Dionísio o pai do teatro e da tragédia grega. Deus do vinho, da sensualidade, da alegria, da desordem e das forças da natureza.


Os orficos cultuavam Dionísio.


A tragédia de Orfeu, desgraça no Carnaval, alegria suprema, contradição individual e social, tristeza na alegria máxima.


Orfeu e Eurídice eram dois amantes, se amavam intensamente.


Orfeu era filho de Calíope, musa da mitologia grega, e do deus Apolo, herdou do pai uma lira que emitia um som envolvente, todos eram atraídos por sua magia, dos pássaros no céu às árvores.


Tom Jobim é o Orfeu da Bossa Nova.


Vinícius declarou que quando convidou Tom Jobim para compor as canções da peça Orfeu da Conceição não tinha a menor ideia de que estava deflagrando o mais importante movimento da música brasileira no século XX.


O Orfeu Negro é o único "Oscar do Brasil" na história da Academia. 


A ideia de aplicar a mitologia grega ao povo da favela no Brasil, nasceu de um comentário de um amigo americano de Vinícius de Moraes, Waldo Frank, que visitou o Rio de Janeiro e a Bahia no ano de 1942. Ele ficou encantado com a cultura da população negra do Brasil, batucada, dança, capoeira, e candomblé que via em favelas como a do Pinto no Rio de Janeiro, e comparou aos gregos da Antiguidade. Waldo era um estudioso da cultura dos povos da América Latina.


Apesar da plena integração na sociedade ocidental, urbana, moderna, complexa, a população pobre das favelas mantinha elementos culturais de outras épocas da história.


Vinícius de Moraes ficou com essa ideia na cabeça e, em Niterói, na casa de um amigo, o pintor Carlos Leão, próximo do morro do Cavalão, ficou ouvindo a batucada, lendo mitologia grega e pensando sobre qual história seria mais adequada ao contexto dos morros do Brasil. Identificou em Orfeu e Eurídice a tragédia mais adequada para essa combinação de profunda alegria popular e terrível sofrimento do povo. Orfeu era músico na Tracia.


Em 1953 a peça já havia conquistado o primeiro lugar no concurso do IV Centenário de São Paulo, mas sem música. Vinícius soube que o produtor francês Sacha Gordine havia manifestado interesse em transpor a peça para as telas do cinema e viu que a trilha sonora era imprescindível. Ideia que viria a se materializar na produção de 1959, de Marcel Camus.


Vinícius procurou Vadico que foi o maior parceiro de Noel Rosa e pianista de Carmem Miranda, mas ele recusou o convite porque estava doente. Vinícius contou o problema para seus amigos Lúcio Rangel e Haroldo Barbosa e foi apresentado a Tom Jobim que também frequentava a Casa Vilarino que era um lugar de encontro de pessoas do meio artístico como o Café Nice.


Foi, então, que surgiu a parceria mais importante da música brasileira e mundial.


Tom Jobim já conhecia Vinícius de bares e festas do Rio de Janeiro, mas não era um amigo intimo. Tom Jobim já era conhecido por sua parceria com Billy Blanco em Tereza da Praia e na Sinfonia do Rio, além das canções com Newton Mendonça.


Outros compositores que participaram da trilha sonora do filme foram Luiz Bonfá e Antônio Maria, amigos de Tom Jobim e Vinícius de Moraes. Manhã de Carnaval e Samba do Orfeu obras de Luiz Bonfá e Antônio Maria.


Oscar Niemeyer fez os cenários, Carlos Scliar e Djanira fizeram os cartazes, o Teatro Experimental do Negro de Abdias Nascimento escolheu os atores para o elenco, como o próprio Abdias, além de Haroldo Costa, Ademar Ferreira da Silva, Ruth de Souza entre outros.


O tema de Orfeu já havia sido transformado em opera por Claudio Monteverdi em 1607 e depois por Gluck em 1752


Na peça, Roberto Paiva interpretou "Um nome de mulher", "Se todos fossem iguais a você", Mulher, sempre mulher", "Eu e o meu amor", "Lamento no morro". Agostinho dos Santos emprestou sua voz na interpretação das canções de Tom Jobim e Vinícius de Moraes no filme,

" Felicidade", "Frevo do Orfeu", "O Nosso Amor","Valsa de Euridice"" Manhã de Carnaval" "Samba do Orfeu"

Carnaval é uma festa que vem da Grécia Antiga da Roma Antiga, culto do deus Dionísio e Baco. Dionísio o pai do teatro e da tragédia grega. Deus do vinho, da sensualidade, da alegria, da desordem e das forças da natureza.


Os orficos cultuavam Dionísio.


A tragédia de Orfeu, desgraça no Carnaval, alegria suprema, contradição individual e social, tristeza na alegria máxima.


Orfeu e Eurídice eram dois amantes, se amavam intensamente.


Orfeu era filho de Calíope, musa da mitologia grega, e do deus Apolo, herdou do pai uma lira que emitia um som envolvente, todos eram atraídos por sua magia, dos pássaros no céu às árvores.


Tom Jobim é o Orfeu da Bossa Nova.


Vinícius declarou que quando convidou Tom Jobim para compor as canções da peça Orfeu da Conceição não tinha a menor ideia de que estava deflagrando o mais importante movimento da música brasileira no século XX.


O Orfeu Negro é o único "Oscar do Brasil" na história da Academia.


 Tom Jobim dizia que na sua formação musical, no campo erudito, o impressionismo musical teve enorme peso, Debussy e Ravel, ou seja, incorporar na música os sons do mundo, da vida, da natureza, como os pássaros, as águas, com Heitor Villa-Lobos ele incorporou os sons do Brasil. Bach e o choro.  No campo popular, Dorival Caymmi, Ary Barroso, e Pixinguinha. Caymmi e as canções da terra, praieiras, e o samba-canção, com Ary Barroso o samba exaltação e as grandezas do Brasil, e também a música romântica, e, com Pixinguinha, a mágica do choro, a sedução de Carinhoso. Uma  síntese perfeita do Brasil. Tom Jobim também admirava Noel Rosa e Custódio Mesquita. Como George Gerswhin,Tom Jobim combinou o erudito e o popular. Maurice Ravel disse para Gerswhin não querer ser um Segundo Ravel, mas, sim, o Primeiro Gerswhin. No piano de Tom Jobim, o busto de Frederic Chopin.

quinta-feira, 23 de março de 2023

 Música Nacional e Internacional 


Na formação erudita de Tom Jobim, os nomes e correntes mais importantes são Heitor Villa Lobos,  o impressionismo musical de Debussy e Ravel, seu primeiro mestre Hans-Joachim Koellreutter, e Radamés Gnatalli, na esfera da música popular, Ary Barroso, Dorival Caymmi e Pixinguinha .Villa Lobos e a fusão do erudito e do popular, como fazia Ernesto Nazareth.   Hans-Joachim Koellreutter foi seu primeiro professor de música, Tom tinha apenas 13 anos. O músico erudito alemão foi contratado pera mãe de Tom Jobim para dar aulas de piano para Helena Jobim e outras crianças do Colégio Brasileiro de Almeida, quando Tom teve seu interesse despertado para a música. Koeullreutter foi amigo  de Heitor Villa-Lobos,  e professor de grandes músicos como Claudio Santoro, Camargo Guarnieri, Guerra Peixe, Eunice Katunda, Diogo Pacheco, Júlio Medaglia, Isaac Karabtchevskye e Edino Krieger. Ele fundou o grupo Musica Viva em 1939, sua filosofia era a do homem integral e a abertura de horizontes da música, sua técnica além das tradicionais europeias,  incorporavam diversas influências musicais, incluindo a música japonesa e a indiana, microtonal, e a  tecnologia eletrônica. Ele dizia que o bom mestre sempre deve aprender com os alunos e seus interesses. Hermann Scherchen  acolheu Koeullreutter em Genebra e o introduziu ao atonalismo e  à técnica dodecafônica. O maestro  Koellreutter faleceu em 2005. O mestre alemão formou gerações de músicos brasileiros.


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A Origem do Samba e do Choro



A narrativa de uma identidade musical homogênea, de longa tradição, em relação ao samba é uma ficção. Um instrumento de luta política e cultural. A tentativa de impor uma identidade musical ao Brasil sem base histórica. Pura arbitrariedade. 


O Samba nasceu do Maxixe do fim do século XIX e início do século XX, através da obra de Donga, Sinhô, João da Baiana, e Heitor dos Prazeres. O Maxixe é fruto da fusão de gêneros europeus com o lundu africano. Assim também é o Choro que nasceu da polca (austriaca), mazurca (polonesa),  schottische (alemão), valsa (vienense), o minueto e a habanera cubana com o lundu. Grandes nomes do choro foram Callado, Anacleto, Nazareth, Pixinguinha, Villa Lobos, Altamiro Carrilho, Waldir Azevedo, e Zequinha de Abreu. 


A Tia Ciata fazia reuniões desses grandes nomes do choro e samba no Rio de Janeiro, Donga, Sinhô, e João da Baiana.


Chiquinha Gonzaga e Ernesto Nazareth utilizavam os ritmos africanos em suas composições com gêneros europeus, chamavam de choro, valsa-choro e tango.  Heitor Villa-Lobos também combinou o erudito e o popular.


Em 1917 foi gravado no Brasil o primeiro samba de grande sucesso "Pelo Telefone", com letra de Mauro de Almeida e Donga.


Ismael Silva criou a primeira escola de samba, a Deixa Falar, e o samba de desfile nos anos 20, no Rio de Janeiro. Uma mudança rítmica com um novo padrão instrumental percussivo, estilo mais sincopado.


No fim dos anos 20, nasceu o Samba-canção (Henrique Vogeler, Marques Porto e Luís Peixoto). O samba de Noel Rosa, Ary Barroso (samba exaltação), Herivelto Martins, Lupicinio Rodrigues, Custódio Mesquita, Ataulfo Alves, Assis Valente, e Caymmi, é bem diferente do samba da época de Donga e Sinhô. Depois, nos anos 40, houve a influência do bolero no Samba-canção. 


Nos anos 40, Custódio Mesquita, Mário Lago e Pixinguinha gravaram Fox.


O Choro com o Samba deu origem ao samba de gafieira, samba de salão, e ao samba de breque. 


No pós-guerra, surgiu o sambalanço sob a influência do samba exaltação, jazz, ritmos caribenhos, e deu origem ao samba rock e ao samba jazz. 


A Bossa Nova foi mais uma etapa nesse processo evolutivo do samba. Uma vertente do Samba-canção. Nunca houve uma uniforme e longa tradição de um gênero musical no Brasil. Os músicos americanos adotaram a Bossa Nova como Cool Jazz.


Tom Jobim sempre enfatizou esse ponto, a riqueza do samba e suas variações.


A Bossa Nova definiu um recorte, uma batida, dentre as múltiplas possibilidades rítmicas do samba.


Tivemos o Partido Alto que deu origem ao Pagode nos anos 80 e 90.


O Jazz possui essa capacidade plástica de incorporar expressões musicais nacionais e manter suas raízes.


Essa riqueza de gêneros e ritmos é bem brasileira e admirada no mundo todo. Não surpreende, portanto, que tenha produzido um Tom Jobim, um Heitor Villa-Lobos, e um Ary Barroso.


Nazareth introduziu elementos de Bach e Tchaikovski, Jesus Alegria dos Homens, O Cravo Bem Temperado e o Quebra Nozes.


O Maestro Soberano como o culminar de uma linda história da música brasileira que começou com a Polca de Callado e Chiquinha Gonzaga passou por Ernesto Nazareth, mestre Villa-Lobos, Ary Barroso e Pixinguinha e chega no Maestro Soberano. Brasil, encontro de povos e culturas !


A Bossa Nova não é um segmento da música que ficou de lado, ou uma etapa da história que ficou para trás, ela é a própria origem da modena música popular brasileira. Essa música de Roberto Carlos, Caetano, Gal, Milton Nascimento, Elis Regina, Ivan Lins, Djavan, Gonzaguinha, Marisa Monte, Elza Soares, Ana Carolina só pôde florescer porque a Bossa Nova quebrou paradigmas. As pessoas ouvem músicas de Tom Jobim nas novelas da Globo e nem sabem que é de Tom.



Antônio Carlos Jobim


Obra do artista plástico Mello Menezes. Uma pintura que vale por mil palavras e interpretações da obra de Tom Jobim. Um compositor que participa da obra da natureza.  A voz da mata, a voz da fauna, a sinfonia da natureza, o céu, o sol, a montanha, o mar, as praias, as águas, a harmonia do homem e da natureza, a mulher. O compositor como um co-criador do Universo. O belo e o amor pelo conjunto da natureza. Uma visão do Éden ou o Maravilhoso Mundo de Antonio Carlos Jobim. O regente da Mãe Natureza. Em cada estrela uma canção. Um compositor que fala com a nossa alma. Crença ou otimismo forte no futuro do Brasil, o papel do Brasil na America Latina e no mundo, desenvolvimento econômico e social, cinema novo, nova arquitetura. O Tom como morro verde, amarelo, azul, "que não tem vez", a crítica social, "a cidade que vai se alegrar" quando o morro tiver vez, a tragédia de Orfeu, desgraça no meio da alegria suprema do carnaval. Tensão, drama, na letra, na melodia e leveza.


As artes, ou seja, literatura, música, dramaturgia, permitem ao homem pensar sobre experiências que não tiveram, alternativa ao que viveram, sentir mais intensamente saudade, alegria, tristeza, fixar na memória momentos felizes. Tom Jobim acreditava no poder transformador da musica, mas lembrava que a música pode ter múltiplos propósitos como ir a guerra, relaxar, fazer exercício físico, amar e etc.


Jabor dizia que Tom Jobim sempre o remetia a um passado idealizado e a um Brasil alternativo.  A perfeição e a excelência da música e o descompasso com a realidade social. A saudade, portanto,  do que podíamos ter sido. 


Saudade de um Rio de Janeiro diferente. Um tempo que passava mais lento. Uma  época onde curtiamos a vida com prazer. Hoje não há tempo, há um caos de acontecimentos e um sumidouro de eventos e damos graças a Deus de sairmos vivos. No passado, por exemplo, passear pela praia era lírico, bucólico. Ipanema era um pedaço do paraíso.


Tom Jobim era nossa referência cotidiana. Felizmente não se ausentou em definitivo do Brasil, para viver nos EUA. Enquanto viveu, esteve presente aqui, falando de tudo. 


Gostava de falar de aves, animais da mata e do mar, não apenas pelo amor à natureza, mas também porque desejava fugir da brutalidade do cotidiano. 


Tom Jobim falava da natureza e da necessidade de harmonia do homem com o meio. Não fazia uma pregação romântica, mas realista. 


Ao tratar a realidade social em Orfeu Negro não reforçava esteriótipos, faz uma crítica sofisticada. Tragédia em meio a máxima expressão da felicidade.


Tom era um mediador do mundo dos homens com natureza. Sem a harmonia com a natureza, não há como pensar o futuro da sociedade, dizia Jabor sobre Tom. Ao morrer Tom Jobim voltou à natureza como árvore, floresta ou algum animal que ele amava. 


Jabor dizia que Tom Jobim não era delimitavel. Tom não tinha começo e nem  fim, era um Debussy de conceitos, lançados uns sobre os outros, como num fluxo das ondas de Ipanema. O Brasil pensava sobre si, através de Tom Jobim. Sua morte foi a derrubada de uma floresta. Através de Jobim, Guimarães Rosa, Villa-Lobos, Debussy, Chopin, Ravel, Ary Barroso se faziam presentes.


Uma perda enorme para a cultura nacional. 


São referências para pensar o Brasil que partem e deixam um enorme vazio.